Pisei naquele tapete vermelho tão desbotado que parecia do século do passado, meus olhos foram até a parede azul bebê, não era como eu me lembrava, ela antes era um verde escuro, era do jeito que eu gostava há anos atrás. Coloquei a mochila que carregava na minha velha mesa de madeira e depois me sentei na cadeira de madeira marrom.
Meus olhos passaram pela janela, que estava fechada pelas cortinas, resolvi abri-las. O raio forte do sol rapidamente iluminou todo o quarto, olhando pra fora vi que poucas coisas mudaram naquela rua, que já foi tão minha companheira, só uma casa havia sido trocada por uma mais moderna, a famosa casa vermelha continuava com o seu mesmo ar de antes, imponente. Fora isso, uma ou outra alterações nas casas, mas nada que chamasse muita atenção.
No geral, tudo era muito igual. De uma certa foi desagradável ver que tudo era tão igual, não conseguia por enquanto me adequar a isso de novo. Precisei deitar um pouco, o que não foi tão agradável com aquele colchão velho cutucando com as suas molas gastas as minhas costas, respirei fundo. Deitando de lado para as minhas costas não ficarem tão judiadas, olhei aquele armário cor pastel esperando ser reutilizado depois de vários anos.
Tudo é tão velho, tudo é tão novo. Assim como o sentimento de amor, amizade, tristeza, vitória, medo, conquista e derrotas, as quais experimentamos inúmeras vezes e apesar de serem nossas velhas companheiras, são sempre tão novas em suas situações, como se recomeçasse do zero outra vez, outra vez e outra vez, sempre se renovando. Me senti estranho naquela atmosfera, como se eu quase não merecesse estar mais lá, eu mudei tanto. O passado no meu presente iria transformar meu futuro. Me senti cansado e acabei adormecendo.
Enquanto isso, meu vizinho, Alberto, estava caminhando quando encontrou uma outra vizinha, Maria, em frente a minha casa. Eles se comprimentaram e começaram a conversar, no meio do assunto Alberto perguntou:
_ Então quem é aquele homem que chegou a poucas horas na casa do Seu Roberto?
_ Aquele é o filho dele.
_ Ele vai voltar a morar aqui?
_ Sim. Parece que ele não está numa das melhores fases da vida.
_ Entendo, que pena. Bom tenho que ir Maria, até mais.
_ Ok Alberto, até mais!
Alberto antes de ir, olhou para a janela que havia sido aberta há pouco tempo, sua expressão mostrava interesse no acontecimento daquele dia.
quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009
sábado, 21 de fevereiro de 2009
Ele mudou?
- VAI LOGO!
Com uma bela buzinada foi assim que eu sai do meu transe, eu ainda estava muito atordoado. Nada daquilo podia ser verdade, mas e se fosse? Antes de continuar minha linha de pensamento resolvi sair do meio da rua, antes que minha morte fosse antecipada pelo meu companheiro agradável. Minhas pernas me guiavam sem eu saber pra onde exatamente, estava tudo tão confuso, eu só queria... só queria esvaziar minha cabeça.
Já em casa tudo fazia mais sentindo. Estava bem na minha frente, eu acho. De qualquer maneira agora estou melhor, o impacto já passou. Daqui a poucas horas eu sabia que ela iria chegar, eu precisava melhorar minha cara, então chupei um sorvete, que alívio. Só deu tempo pra mais um banho depois, o trinco da porta começou a fazer barulho e ela entrou:
_ Olá amor! Já comeu?
_ Comi um sorvete.
Forcei um sorriso.
_ Só?! Fica calmo vou preparar algo bem gostoso pra você, enquanto isso pode relaxar um pouco tá?
_ OK, obrigado.
Nossa relação sempre foi tão esquisita, agora mais do que nunca eu vejo isso.
Não era uma relação que nem eu via das outras famílias, tudo é tão artificial. Seráque era melhor chegar nela e abrir o jogo de uma vez? Essa dúvida me matava. Então foi como a minha fúria inicial voltasse com força total, eu não tinha mais dúvidas, ela ia ter que me responder e eu não estava mais ligando. Na hora que eu cheguei na cozinha ela já estava lacrimejando antes de eu falar qualquer coisa, será que ela sabia que eu sabia? Mas depois eu vi que ela só estava cortando cebola, isso piorou a minha furia.
_ Por que você fez isso comigo?
Minha carajá estava vermelha e sem querer falei como se estivesse numa boate, qualquer um na rua escutaria.
_ Fiz o que querido?
Ela fez uma cara de chocada, que cínica.
_ Me trair assim desse jeito, como você pode?
_ Do que você está falando?
_ Eu confiei em você, como você fez isso?
A minha raiva começou a dar lugar as lágrimas.
_ Então já te contaram?
_ Como se você tivesse tentado esconder muito!
_ Infelizmente é verdade.
_ Mas você é minha mãe!
_ Não interessa, eu tive que fazer o que é certo!
_ Fazer a coisa certa é trair seu filho?
_ Se meu filho fez algo errado, então é sim!
Agora quem estava ficando vermelha era ela.
_ E vou te dizer mais uma coisa, a próxima vez que eu souber que você pichou de novo a escola, eu vou fazer questão em te levar lá na frente de todos e fazer você esfregar todas as paredes até todas ficarem brilhando e sem sinais de indeliquências, não criei ninguém pra ser um desses zé ninguém!
_ Mãe, se eu não fizer isso, não serei popular!
_ Meu amado filho só uma coisa: NÃO SEJA RÍDICULO!
Aquelas palavras me chocaram, nunca minha mãe me ofendeu.
Com uma bela buzinada foi assim que eu sai do meu transe, eu ainda estava muito atordoado. Nada daquilo podia ser verdade, mas e se fosse? Antes de continuar minha linha de pensamento resolvi sair do meio da rua, antes que minha morte fosse antecipada pelo meu companheiro agradável. Minhas pernas me guiavam sem eu saber pra onde exatamente, estava tudo tão confuso, eu só queria... só queria esvaziar minha cabeça.
Já em casa tudo fazia mais sentindo. Estava bem na minha frente, eu acho. De qualquer maneira agora estou melhor, o impacto já passou. Daqui a poucas horas eu sabia que ela iria chegar, eu precisava melhorar minha cara, então chupei um sorvete, que alívio. Só deu tempo pra mais um banho depois, o trinco da porta começou a fazer barulho e ela entrou:
_ Olá amor! Já comeu?
_ Comi um sorvete.
Forcei um sorriso.
_ Só?! Fica calmo vou preparar algo bem gostoso pra você, enquanto isso pode relaxar um pouco tá?
_ OK, obrigado.
Nossa relação sempre foi tão esquisita, agora mais do que nunca eu vejo isso.
Não era uma relação que nem eu via das outras famílias, tudo é tão artificial. Seráque era melhor chegar nela e abrir o jogo de uma vez? Essa dúvida me matava. Então foi como a minha fúria inicial voltasse com força total, eu não tinha mais dúvidas, ela ia ter que me responder e eu não estava mais ligando. Na hora que eu cheguei na cozinha ela já estava lacrimejando antes de eu falar qualquer coisa, será que ela sabia que eu sabia? Mas depois eu vi que ela só estava cortando cebola, isso piorou a minha furia.
_ Por que você fez isso comigo?
Minha carajá estava vermelha e sem querer falei como se estivesse numa boate, qualquer um na rua escutaria.
_ Fiz o que querido?
Ela fez uma cara de chocada, que cínica.
_ Me trair assim desse jeito, como você pode?
_ Do que você está falando?
_ Eu confiei em você, como você fez isso?
A minha raiva começou a dar lugar as lágrimas.
_ Então já te contaram?
_ Como se você tivesse tentado esconder muito!
_ Infelizmente é verdade.
_ Mas você é minha mãe!
_ Não interessa, eu tive que fazer o que é certo!
_ Fazer a coisa certa é trair seu filho?
_ Se meu filho fez algo errado, então é sim!
Agora quem estava ficando vermelha era ela.
_ E vou te dizer mais uma coisa, a próxima vez que eu souber que você pichou de novo a escola, eu vou fazer questão em te levar lá na frente de todos e fazer você esfregar todas as paredes até todas ficarem brilhando e sem sinais de indeliquências, não criei ninguém pra ser um desses zé ninguém!
_ Mãe, se eu não fizer isso, não serei popular!
_ Meu amado filho só uma coisa: NÃO SEJA RÍDICULO!
Aquelas palavras me chocaram, nunca minha mãe me ofendeu.
terça-feira, 3 de fevereiro de 2009
Um segundo
E então o disparo de uma arma aconteceu. Como em um filme de ação, para ela é como se ela pudesse ver detalhadamente cada milésimo de segundo em minutos e toda a cena de preocupação se tornou dor. O medo que sentia antes se intensificou, ela sabia que não adiantava fazer nada, ela seria baleada, ela poderia morrer, aliás ela tinha certeza que ela ia morrer, a cada milézimo de segundo ela via que a bala estava indo em direção 'a sua cabeça.
Por algum tempo ela só ficou ali quieta, assustada com o que viria pela frente, mas depois ela só lembrou dos seus planos, das suas conquistas, dos poderes aquisitivos, da sua beleza, e não, ela não se lembrou de toda a sua vida, isso pra ela seria algo idiota para se lembrar,o que importa são realmente as coisas que importaram e que tiveram um efeito em sua vida. E assim entre algumas memórias ela lembrou-se de algumas coisas ruins que aconteceram em sua vida e que ela mesmo causou, tantas dores, mas agora já não eram mais dores, eram o seu passado, eram a sua marca, consolidou a sua personalidade marcante de quem lutou e pisou em quem foi necessário para isso, ela fez justamente o que ela quis da vida dela, o que ela pretendia aos seus 35 anos ela havia conquistado antes mesmo dos 30, agora ela se gozava de uma vida maravilhosa. E então nesse mais um melésimo de segundo ela sorriu, ela realmente teve tudo o que quis, menos esse final óbvio. O que ela queria agora era só deixar algumas palavraspra pessoas amadas e pra esta pessoa que atirou, deixar um testamento, afinal ela nunca achou qeu precisaria de um tão cedo, mas fazer o que.
Agora a bala estava bem próxima de sua testa, o desespero sumiu e só sentiu tristeza por esse fato ruim em sua vida, aliás o pior. Ela então olhou para a pessoa que atirou, mulher puta! Foi o que ela pensou, sim aifnal quem estaria feliz com uma puta dessas? Mas fazer o que, quem mandou pisar tanto em uma pessoa assim? E ai ela olhou mais profundo, olhou em seus olhos, que expressão vazia, que olhos sem vida, ela nunca havia percebido que a vida desta pessoa estava assim, tão destruída e ela talvez só piorou essa condição, foi a pena que a dominou nesse milézimo, ela sabia que ela podia morrer, mas ela teve tudo que quis e essa pobre pessoa só teve desgraças. Seus olhos se encheram de água. Oh como a bala estava perto, a menos de um centimetro e em vez de pensar em coisas tristes ainda, ela limpou sua mente. A bala encostou em sua testa. Elaprocurou algum pensamento feliz. A bala começou a invandir a sua pele. seráo dia em que ela viu o quanto era rica? Abala perfurou a sua pele, estava começando a tocar no seu crânio. E então veio à luz! Sim, agora ela podia ver, foi um dia em que ela estava com a sua família, era Natal, tudo estava tão lindo, ela podia sentir o cheiro de peru ainda, todos tão alegres e todos seus irmãos adultos, agora eles eram uma família unida, cada um seguiu o seu caminho, mas o amor entre eles estava transbordando esse memorável dia, ela abraçou seu ídolo, seu pai.
A bala acertou o seu cérebro. Escuridão.
E então o sangue transbordou de sua face, mas ela sorria e possuía uma lágrima em seu rosto. É deve ser assim o resumo de uma vida humana, alegrias e tristezas, nada mais.
A assassina se matou.
Nos jornais apareceu numa folha qualquer o caso e a foto, pessoas olharam e pensaram, hm.. e daí?! E assim continuam suas vidas, e fim de história, suas tristezas e alegrias viraram uma folha de desgraça no jornal e apenas isso.
Por algum tempo ela só ficou ali quieta, assustada com o que viria pela frente, mas depois ela só lembrou dos seus planos, das suas conquistas, dos poderes aquisitivos, da sua beleza, e não, ela não se lembrou de toda a sua vida, isso pra ela seria algo idiota para se lembrar,o que importa são realmente as coisas que importaram e que tiveram um efeito em sua vida. E assim entre algumas memórias ela lembrou-se de algumas coisas ruins que aconteceram em sua vida e que ela mesmo causou, tantas dores, mas agora já não eram mais dores, eram o seu passado, eram a sua marca, consolidou a sua personalidade marcante de quem lutou e pisou em quem foi necessário para isso, ela fez justamente o que ela quis da vida dela, o que ela pretendia aos seus 35 anos ela havia conquistado antes mesmo dos 30, agora ela se gozava de uma vida maravilhosa. E então nesse mais um melésimo de segundo ela sorriu, ela realmente teve tudo o que quis, menos esse final óbvio. O que ela queria agora era só deixar algumas palavraspra pessoas amadas e pra esta pessoa que atirou, deixar um testamento, afinal ela nunca achou qeu precisaria de um tão cedo, mas fazer o que.
Agora a bala estava bem próxima de sua testa, o desespero sumiu e só sentiu tristeza por esse fato ruim em sua vida, aliás o pior. Ela então olhou para a pessoa que atirou, mulher puta! Foi o que ela pensou, sim aifnal quem estaria feliz com uma puta dessas? Mas fazer o que, quem mandou pisar tanto em uma pessoa assim? E ai ela olhou mais profundo, olhou em seus olhos, que expressão vazia, que olhos sem vida, ela nunca havia percebido que a vida desta pessoa estava assim, tão destruída e ela talvez só piorou essa condição, foi a pena que a dominou nesse milézimo, ela sabia que ela podia morrer, mas ela teve tudo que quis e essa pobre pessoa só teve desgraças. Seus olhos se encheram de água. Oh como a bala estava perto, a menos de um centimetro e em vez de pensar em coisas tristes ainda, ela limpou sua mente. A bala encostou em sua testa. Elaprocurou algum pensamento feliz. A bala começou a invandir a sua pele. seráo dia em que ela viu o quanto era rica? Abala perfurou a sua pele, estava começando a tocar no seu crânio. E então veio à luz! Sim, agora ela podia ver, foi um dia em que ela estava com a sua família, era Natal, tudo estava tão lindo, ela podia sentir o cheiro de peru ainda, todos tão alegres e todos seus irmãos adultos, agora eles eram uma família unida, cada um seguiu o seu caminho, mas o amor entre eles estava transbordando esse memorável dia, ela abraçou seu ídolo, seu pai.
A bala acertou o seu cérebro. Escuridão.
E então o sangue transbordou de sua face, mas ela sorria e possuía uma lágrima em seu rosto. É deve ser assim o resumo de uma vida humana, alegrias e tristezas, nada mais.
A assassina se matou.
Nos jornais apareceu numa folha qualquer o caso e a foto, pessoas olharam e pensaram, hm.. e daí?! E assim continuam suas vidas, e fim de história, suas tristezas e alegrias viraram uma folha de desgraça no jornal e apenas isso.
segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009
complexo
Ele era mediano, não se considerava especial, não via nada além do que as pessoas o taxavam ou do que sua vida mostrava.
Apesar disso ele era muito amigável, era cheio de amigos e muitas pessoas gostavam de ficar ao seu lado mesmo ele não tendo nada de especial, e foi assim que ele começou a sua vida, não tendo nada especial, não tendo ambições, se contentando com a sua vida de pedreiro e vivendo os dias assim, vendo seus amigos, tendo um trabalho árduo, chegando na casa simples dos seus pais e morando lá por muito tempo. Até o dia em que ele conseguiu uma casinha simples, a qual ele mesmo construiu, não era nada demais, era simples. Com o decorrer do tempo ele se apaixonou por uma garota, e a garota por ser simples como ele também se apaixonou e assim eles tiveram uma vida juntos, na simplicidade, nada de muito especial, apenas vivendo.. Quando estava velhinho, se encontrava só. Sua mulher havia morrido quando eles ainda estavam quase chegando na terceira idade e agora sua aposentadoria que mal dava para pagar as contas o sustentou até o dia da sua morte. Nessa época só sobraram alguns amigos e alguns colegas, que foram os únicos que apareceram no seu funeral.
Foi uma vida sem conquistas, uma vida simples, com poucas coisas, ele não teve o que comemorar e o que deixar.. só lembranças.
Uma vida sem riscos, boa pra ele, ele se contentava, não se importava e ele conseguiu a vida que queria.
Apesar disso ele era muito amigável, era cheio de amigos e muitas pessoas gostavam de ficar ao seu lado mesmo ele não tendo nada de especial, e foi assim que ele começou a sua vida, não tendo nada especial, não tendo ambições, se contentando com a sua vida de pedreiro e vivendo os dias assim, vendo seus amigos, tendo um trabalho árduo, chegando na casa simples dos seus pais e morando lá por muito tempo. Até o dia em que ele conseguiu uma casinha simples, a qual ele mesmo construiu, não era nada demais, era simples. Com o decorrer do tempo ele se apaixonou por uma garota, e a garota por ser simples como ele também se apaixonou e assim eles tiveram uma vida juntos, na simplicidade, nada de muito especial, apenas vivendo.. Quando estava velhinho, se encontrava só. Sua mulher havia morrido quando eles ainda estavam quase chegando na terceira idade e agora sua aposentadoria que mal dava para pagar as contas o sustentou até o dia da sua morte. Nessa época só sobraram alguns amigos e alguns colegas, que foram os únicos que apareceram no seu funeral.
Foi uma vida sem conquistas, uma vida simples, com poucas coisas, ele não teve o que comemorar e o que deixar.. só lembranças.
Uma vida sem riscos, boa pra ele, ele se contentava, não se importava e ele conseguiu a vida que queria.
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